31 de agosto de 2010
6 de agosto de 2010
Abajur
Passarinho no fio
vendo o dia que morre
temendo o frio da noite,
esperando a hora redonda
em que a lua acende o seu abajur amarelo.
E o dia, por fim, morre.
A noite treme de frio,
cobre-se de estrelas,
na exata hora redonda
em que a lua acende o seu abajur amarelo.
vendo o dia que morre
temendo o frio da noite,
esperando a hora redonda
em que a lua acende o seu abajur amarelo.
E o dia, por fim, morre.
A noite treme de frio,
cobre-se de estrelas,
na exata hora redonda
em que a lua acende o seu abajur amarelo.
Nome
As Rosas,
As Hortências,
Dálias,
Margaridas...
E eu? Que faço eu na primavera
sem ter nome de flor?
As Hortências,
Dálias,
Margaridas...
E eu? Que faço eu na primavera
sem ter nome de flor?
2 de junho de 2010
Os excessos
Os excessos me incomodam,
preciso limpá-los.
Tudo claro,
tudo pouco,
branco.
Sempre é época de podas.
Só os galhos necessários,
o espaço para o que há de vir
Uma casa para o botão ir e voltar,
um corpo onde o vento possa circular,
cada coisa com o tempo de ficar.
preciso limpá-los.
Tudo claro,
tudo pouco,
branco.
Sempre é época de podas.
Só os galhos necessários,
o espaço para o que há de vir
Uma casa para o botão ir e voltar,
um corpo onde o vento possa circular,
cada coisa com o tempo de ficar.
26 de abril de 2010
Ecos
Quando eu era pequena
o mundo parecia-me tão grande...
A casa tinha portas enormes,
cadeiras para gigantes,
camas de colchões sem fim...
Deitada no chão vermelho da varanda
o teto era quase um céu.
As telhas formavam-se para chover...
Longe, distante,
alto, alto...
Hoje a minha antiga casa
é um ponto no caminho que passo.
As cadeiras nos acomodam mal,
os colchões parecem caber
tão somente o espaço de deitar.
O teto aproxima-se cada vez mais...
Pequeno, curvado,
como se fosse cair.
Assim,baixo, baixo...
Os ecos dos sorrisos
não me são mais permitidos.
o mundo parecia-me tão grande...
A casa tinha portas enormes,
cadeiras para gigantes,
camas de colchões sem fim...
Deitada no chão vermelho da varanda
o teto era quase um céu.
As telhas formavam-se para chover...
Longe, distante,
alto, alto...
Hoje a minha antiga casa
é um ponto no caminho que passo.
As cadeiras nos acomodam mal,
os colchões parecem caber
tão somente o espaço de deitar.
O teto aproxima-se cada vez mais...
Pequeno, curvado,
como se fosse cair.
Assim,baixo, baixo...
Os ecos dos sorrisos
não me são mais permitidos.
31 de março de 2010
26 de março de 2010
24 de março de 2010
Essa tal solidão
Meu avô falava
de uma solidão intelectual..
Eu um dia lhe perguntei:
Vô, o que é isso?
E ele me respondeu:
_ É não ter com quem partilhar
nossos ideais,
é falar outra língua,
é sentir-se de outro lugar
em meio aos nossos conterrâneos...
Eu hoje sei e sinto plenamente
aquilo que o meu avô sentia...
de uma solidão intelectual..
Eu um dia lhe perguntei:
Vô, o que é isso?
E ele me respondeu:
_ É não ter com quem partilhar
nossos ideais,
é falar outra língua,
é sentir-se de outro lugar
em meio aos nossos conterrâneos...
Eu hoje sei e sinto plenamente
aquilo que o meu avô sentia...
23 de março de 2010
Desencanto
É tarde...
Os anéis não se agradam mais dos dedos,
os casacos estão impregnados pelo mofo,
as presilhas desencantaram-se dos cachos
e do tom pálido dos cabelos
Ah!Pequena infância que não volta mais...
Os anéis não se agradam mais dos dedos,
os casacos estão impregnados pelo mofo,
as presilhas desencantaram-se dos cachos
e do tom pálido dos cabelos
Ah!Pequena infância que não volta mais...
19 de março de 2010
Ausência
Os papéis amontoam-se sobre a mesa.
Lápis e esferográficas perdem a doçura
e já me parecem sem porquê...
Com o passar do tempo, as folhas amarelam,
tomando para si uma cor de passado...
O vazio se instala perante uma completa
ausência de traços e quimeras.
Há silêncio e pó sobre a mesa
onde os papéis se amontoam
em um arranjo triste.
Lápis e esferográficas perdem a doçura
e já me parecem sem porquê...
Com o passar do tempo, as folhas amarelam,
tomando para si uma cor de passado...
O vazio se instala perante uma completa
ausência de traços e quimeras.
Há silêncio e pó sobre a mesa
onde os papéis se amontoam
em um arranjo triste.
A fragilidade
Canecas de chá
fumegam sobre a mesa...
O tempo lá fora está cinza,
tons de roxos tingem a barra do céu
e meu coração teme a chegada da chuva,
pois, é de papel.
fumegam sobre a mesa...
O tempo lá fora está cinza,
tons de roxos tingem a barra do céu
e meu coração teme a chegada da chuva,
pois, é de papel.
26 de fevereiro de 2010
5 de fevereiro de 2010
Alinhavos
Na caixa de agulhas e linhas da minha avó,
havia uma linha que bordava cores na infância
e alinhavava o que de ruim poderia vir.
Eu herdei a caixa, mas,
nunca soube como ela,
costurar o tecido das infâncias
que a mim se apresentaram.
Bordo cores variando nuances, mas,
a linha sempre estoura nos alinhavos...
Venho, dia a dia, aumentando os bordados
para compensar a fragilidade
com que realizo os alinhavos...
Na esperança de que o pior nunca se apresente,
na esperança de que o pior nunca possa vir
intimidado pela variedade de cores,
intimidado pela quantidade de bordados...
havia uma linha que bordava cores na infância
e alinhavava o que de ruim poderia vir.
Eu herdei a caixa, mas,
nunca soube como ela,
costurar o tecido das infâncias
que a mim se apresentaram.
Bordo cores variando nuances, mas,
a linha sempre estoura nos alinhavos...
Venho, dia a dia, aumentando os bordados
para compensar a fragilidade
com que realizo os alinhavos...
Na esperança de que o pior nunca se apresente,
na esperança de que o pior nunca possa vir
intimidado pela variedade de cores,
intimidado pela quantidade de bordados...
O labor
No fogo,
o doce apura o gosto
A fruta serve a polpa
que o açúcar cuida de realçar.
No quintal,
Maria apura o branco
A água lhe serve o meio
que o trabalho cuida de realçar.
o doce apura o gosto
A fruta serve a polpa
que o açúcar cuida de realçar.
No quintal,
Maria apura o branco
A água lhe serve o meio
que o trabalho cuida de realçar.
A senhora
A elegância da palavra, a sutileza.
A elegância da palavra, a nobreza.
A elegância da palavra, o porte altivo,
o jeito antigo de caminhar.
A palavra é uma senhora
de extrema delicadeza,
uma senhora de modos finos,
de caráter admirável.
Com essa senhora,
sento-me todo dia à mesa,
nas nossas velhas cadeiras
de espaldar alto.
Assim, costuramos e fiamos textos
que o livro da vida a nós confiou.
A elegância da palavra, a nobreza.
A elegância da palavra, o porte altivo,
o jeito antigo de caminhar.
A palavra é uma senhora
de extrema delicadeza,
uma senhora de modos finos,
de caráter admirável.
Com essa senhora,
sento-me todo dia à mesa,
nas nossas velhas cadeiras
de espaldar alto.
Assim, costuramos e fiamos textos
que o livro da vida a nós confiou.
11 de dezembro de 2009
Efêmero
Eu vou passar,
assim, como passaram
os que vieram antes de mim.
Longe estão meus avós, meus brinquedos de menina,
longe está a casa da minha infância...
Longe estão as costuras, os vestidos de tecido xadrez e florido
Tudo aos poucos se esvaindo...
Os perfumes perdem suas essências,
os papéis amarelam, as fotografias desbotam...
Tudo hoje me parece distante,
tudo parece estar indo,
tudo hoje me parece hoje tão efêmero...
assim, como passaram
os que vieram antes de mim.
Longe estão meus avós, meus brinquedos de menina,
longe está a casa da minha infância...
Longe estão as costuras, os vestidos de tecido xadrez e florido
Tudo aos poucos se esvaindo...
Os perfumes perdem suas essências,
os papéis amarelam, as fotografias desbotam...
Tudo hoje me parece distante,
tudo parece estar indo,
tudo hoje me parece hoje tão efêmero...
7 de dezembro de 2009
Ele
Tenho sentido um cansaço diferente...
Um cansaço de ter que ser.
Que bom seria ter tão somente
a exaustão do ofício ao sol,
do labor braçal.
Mas, ter que ser, diariamente,
quem por muitas vezes já não conheço
tem produzido em mim um cansaço infindo...
Ter que ser tem-me feito
perder chaves ou usá-las por demais
Esse cansaço, esse cansaço
não respeita o sono,
não reconhece o colchão
Usa por demais os verbos da exatidão
Esse cansaço, esse cansaço...
As paredes parecem cada vez mais distantes,
as cadeiras escondem-se sob as mesas...
Esse cansaço põe-me sempre de pé
Esse cansaço, esse cansaço, esse...
Um cansaço de ter que ser.
Que bom seria ter tão somente
a exaustão do ofício ao sol,
do labor braçal.
Mas, ter que ser, diariamente,
quem por muitas vezes já não conheço
tem produzido em mim um cansaço infindo...
Ter que ser tem-me feito
perder chaves ou usá-las por demais
Esse cansaço, esse cansaço
não respeita o sono,
não reconhece o colchão
Usa por demais os verbos da exatidão
Esse cansaço, esse cansaço...
As paredes parecem cada vez mais distantes,
as cadeiras escondem-se sob as mesas...
Esse cansaço põe-me sempre de pé
Esse cansaço, esse cansaço, esse...
24 de novembro de 2009
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